Como aprender a comer bem? o que a ciência nos ensina sobre a alimentação na infância

(1) No dia 20 de outubro, o Externato Mãe de Deus, em Lisboa, assinalou o Dia Mundial da Alimentação com atividades dedicadas à descoberta dos alimentos e à importância de uma alimentação saudável desde a infância. A iniciativa envolveu as crianças da educação pré-escolar e do 1.º ciclo, as famílias e a Farmácia Holon Morais Soares, que dinamizou o workshop «Vamos construir a Roda dos Alimentos!», orientado pela nutricionista Rita e pela farmacêutica Marta Teles.
Porque precisamos de comer? O que nos dá energia para brincar, correr e aprender? E porque é importante variar os alimentos?
A partir destas perguntas, as crianças foram convidadas a descobrir o que os alimentos fazem pelo nosso corpo e a compreender a importância dos nutrientes para o crescimento, a obtenção de energia e o bom funcionamento do organismo.
DESCOBRIR O QUE OS ALIMENTOS FAZEM POR NÓS

Durante o workshop, as crianças exploraram embalagens, observaram a quantidade de açúcar presente em diferentes alimentos e bebidas e conversaram sobre as funções dos nutrientes.
A construção da Roda dos Alimentos ajudou a compreender que uma alimentação saudável depende da variedade e do equilíbrio entre os diferentes grupos alimentares. Porque comer não serve apenas para matar a fome: é também uma forma de cuidar do corpo.
QUANDO OS OLHOS NÃO PODEM AJUDAR
«Agora vamos jogar… às cegas. Será que consegues descobrir o que vais provar?»

De olhos vendados, as crianças exploraram diferentes alimentos através do tato, do olfato e do paladar. Tentaram reconhecer texturas, aromas e sabores, numa experiência em que cada prova era uma pequena descoberta.
«Antes de dizer “não gosto”, experimenta» foi uma das mensagens partilhadas durante a atividade.
E há fundamento científico nesta proposta: a investigação mostra que a exposição repetida a frutas e legumes pode favorecer a sua aceitação. Por vezes, é preciso voltar a encontrar um alimento em diferentes ocasiões até que deixe de ser estranho.
Não existe, contudo, um número mágico de tentativas. Cada criança tem o seu ritmo. O importante é criar oportunidades para descobrir, sem pressão, porque a recusa de hoje não tem de ser definitiva.
MAIS COR, MAIS VARIEDADE
Como tornar os legumes mais apelativos?

Como tornar os legumes mais apelativos? Durante o workshop, as crianças conheceram diferentes possibilidades: purés, panquecas, queques e snacks crocantes.
Exploraram também a composição do almoço e do jantar, através de uma proposta visual que distribuía o prato por vegetais, fontes de proteína e alimentos ricos em hidratos de carbono. A diversidade de cores ajudou a conversar sobre a variedade de nutrientes que os alimentos fornecem.
Não é a cor, por si só, que determina o valor nutricional de um alimento. Mas variar as frutas e os legumes é uma forma simples de ampliar a diversidade alimentar.
UMA RODA DOS ALIMENTOS CONSTRUÍDA POR TODOS

A aprendizagem continuou nas salas de aula, onde as crianças da Educação Pré-Escolar
participaram num jogo de classificação de alimentos. No átrio do Externato, a Roda dos Alimentos ganhou uma dimensão coletiva: as famílias enviaram diferentes alimentos, que as crianças do Pré-Escolar e do 1.º Ciclo utilizaram para preencher a grande roda.
A colaboração da Farmácia Holon Morais Soares aproximou o conhecimento científico das experiências das crianças. O contributo das famílias trouxe a alimentação de casa para dentro da escola, reforçando uma ideia essencial: os hábitos alimentares constroem-se no quotidiano, através das escolhas, dos exemplos e das oportunidades que criamos para experimentar.
DICAS LÁ PARA CASA
E EM CASA? SEIS FORMAS DE CONTINUAR ESTA DESCOBERTA
1. Voltar a oferecer, sem obrigar
Se hoje o seu filho recusar um legume, volte a apresentá-lo noutra refeição. Respeitar a recusa não significa deixar de oferecer. A familiaridade constrói-se com o tempo.
2. Dar espaço aos sentidos
Antes de provar um alimento novo, a criança pode observar a sua cor, sentir o aroma ou explorar a textura. Convide-a a descrever o que sente. A experiência pode terminar sem que o alimento seja comido; o contacto também faz parte da descoberta.
3. Preparar juntos
Lavar uma fruta, separar folhas de alface, escolher legumes para a sopa ou ajudar a preparar uma salada são pequenas tarefas que aproximam as crianças dos alimentos. Adapte-as à idade, garantindo sempre a supervisão de um adulto e os cuidados necessários à segurança alimentar.
4. Variar a apresentação
Um legume cozido pode ser diferente quando aparece numa sopa, num puré ou numa receita de panquecas. Experimente diferentes preparações, sem esconder sistematicamente os alimentos: é importante que a criança também tenha oportunidade de os reconhecer e conhecer tal como são.
5. Ser exemplo, sem transformar a refeição numa batalha
As crianças observam os hábitos dos adultos. Comer em conjunto quando possível, variar os alimentos e falar deles com naturalidade pode ajudar a construir uma relação positiva com a alimentação. Evite pressionar a criança a terminar o prato ou a provar tudo. A refeição deve continuar a ser um momento de cuidado e convívio.
6. Fazer da variedade um hábito familiar
Ao longo da semana, procure alternar frutas, legumes, leguminosas, cereais e outras fontes de proteína. Convide a criança a escolher uma fruta para o lanche ou um legume para a refeição. São decisões pequenas, mas ajudam-na a participar e a reconhecer a diversidade dos alimentos.
No fundo, educar para uma alimentação saudável não é ensinar uma criança a gostar de tudo. É dar-lhe oportunidades para conhecer, experimentar e, progressivamente, fazer escolhas mais conscientes. Com tempo, exemplo e alguma curiosidade, a descoberta pode continuar à mesa de casa.
(1) Nota de acessibilidade: Alinhamos o texto à esquerda para facilitar a leitura, seguindo recomendações de legibilidade para pessoas com dislexia.




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